quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Triplicando uma visão

‘ É pela arte que um homem consegue mostrar o que ele realmente é’.

Francamente, deve ter sido um complô. Armaram uma sessão para mim, ou o dia quis pregar-me uma peça. Eu só pude medir tais pensamentos após uma aglomeração de sentimentos dóceis me tomarem.

Retrocedamos, então, a uma parte da história, dessa vez, ainda melhor, sozinho. Aí entenderão o que quero dizer. Ou não.

— Que noite perfeita, não a noite em si, o período. O estado. Veja só como consegue pensar, vociferar como antes. Eu nem sequer deitei e já escrevi tanto, não, não escrevi, escrevi? Bom! Adeus pensamentos, eu sei que os esquecerei amanhã, mas não importa, foram só três minutos.
Três preciosos minutos que haveriam de estar aqui agora.

Ah! Vocês viram? Claro que não viram, aliás, seria cobrar demais de vocês. E se continuar assim deverei produzir cada vez mais esses movimentos, a escrita está dizendo muito lentamente e não consigo expressar o quão histérico estou. Enfim. Deixe-me um pouco de lado, e voltemos ao filme.

— Maldito seja o vento que esvoaça meus cabelos, eu me sinto um mendigo, e veja lá a maldita esquina. A esquina da derrota. E merda! De novo o passado. E que legal! Ele me olhou, sorriu, até acenou. E que bela, quer dizer, que belo passado.Que merda é essa!? — Alguns olhos arregalados, um devaneio tremendo, e em sua visão, deslocamentos, deslocamentos visíveis. — Por Deus. Eu pensei que havia sentido tudo. — Vociferou ainda mole. — E vejam só essa blusa, está imunda. E a calça? Meu cabelo, droga! Eu estou tão belo, e, sabe-se lá por quê, tão crítico.

Ah, já chega! Por sorte eu e minha boca grande não delatamos o que há de mais importante em mim, a volatilidade de personagens e pensamentos.
Agora, entrando numa parte séria de mim, a que não se encontra com grande estabilidade hoje. Foi um dia de mil sabedorias, aliás, eu gostaria de lhes dar meu gentil obrigado e sintam-se à vontade para recebê-lo. E, antes que me esqueça, a última dessas sabedorias. E lembre-se, leia-o em tom irônico e não entenda, apenas alegre-se com o sentido que produzir em ti. Por sua própria manhã.

— ‘Você não vai adivinhar o que achamos em nosso porão hoje
pela manhã...’

4 comentários:

Karla Hack disse...

Gostei do tom quase confidencial de realatar os fatos...
A personagem transmite a visão dela, o que muito me agrada.
O final mexeu comigo, lembrou-me das madrugadas acordada pensando, criando algo, mesmo que sem sentido.. pela luz da manhã.. tudo voltava nos eixos.

;D

bjus

Evan The Scarlet Angel disse...

Gostei do texto,muito bom.
Não sei se entendi ele muito bem,li apenas uma vez,logo leio de novo.
Mas lembra eu quando quero escrever algo


http://evangelinescarletangel.blogspot.com/

meps. disse...

leio seu blog há algum tempo e, confesso, adoro. inclusive, está nos meus favoritos(e vc nem sabia).
gosto de sua maneira de escrever, meio mistério, meio diálogo.. adoro!
parabéns pelo blog.
bjss

LI-VERISSIMO disse...

Olá Hugo!
Minha primeira visita em seu blog e confesso que me encantei. Seus textos são de uma inteligencia incrível. Gostei muito e voltarei mais vezes.

Bjs!