sábado, 4 de outubro de 2008

INFERNO

Lá estava eu, cansado demais para ler um livro. Decidi por dormir, mas logo fui impedido pelos raios de sol que invadiam a janela daquela sala e banhavam-me toda a face. Por vezes tentei fugir, mas como se foge da luz sem recorrer à escuridão? Talvez seja isso a que me prendi, ao meu inferno pessoal; o que chamei de novo modelo de psicologia ou filosofia de vida.


Havia uma mulher ao meu lado quando fui invadido por mais um daqueles meus sorrisos sinceros. Louco. Teria pensado ela, mas a mim pouco importa, eu gostaria de enlouquecer mais vezes caso fosse necessário. Apenas para sentir mais uma vez o que você me proporcionava há algum tempo. E no fundo, não havia mulher alguma, era mais uma vez minha necessidade de estar alucinando.
E céus! Por que você sempre foge, ou pior, por que mostrou interesse um dia desses.
Eu ainda guardo no peito o quê, para mim, soou marcante, e eu já nem sei o que pensar quando me queima a língua aqueles goles tão adocicados de perspectivas infundadas.
Sei lá, não consigo negar que eu ainda sonho, e não quero me desprender disso, tenho medo de cair tão fundo que não seja capaz de regressar.
Meu deus! Só posso estar ficando louco. Quando sonho, há uma cama, nós dois, olhares, pode acreditar? E naquele momento eu deixo de ser eu, e tudo em volta toma uma dimensão que desconheço. O quarto é tão nítido, e naquele momento eu não consigo explicar o por quê, mas uma lágrima me é roubada, e como pressuposto você me pergunta o motivo da angústia, sem muito pensar, respondo que não sei, mas é claro que sei. Não é angústia, é euforia, causada pela vitória.
Logo cessam os meus devaneios e lá vem você dizer estar entregue ao amor, e mais uma vez faz-me pensar: quando dirá olhando em meus olhos, droga! Quando vai chegar? Quão mais eu terei de me despedaçar toda vez que ouvir você citar outros nomes? E até quando eu vou conseguir fingir? Eu sinto que até logo, até alguns dias às nossas frentes. Eu decididamente sou um nada para essas coisas, e vou acabar por te perder. Vou te perder como perdi tudo o que quis e tive medo de apostar. Sabe, nunca fui grande jogador, e me bastou algumas palavras tuas para entender que os sonhos não foram feitos para todos, muito menos para você, e quando digo isso refiro a mim. Eu só gostaria de amar mais uma vez, e sabe-se lá não escondê-lo, mas, como de praxe, me arrependi de tê-lo pedido.
Antes de desabar eu gostaria de lhe pedir uma última coisa, sei que não vai ouvir, sei que nem sabe que está aí, mas me prometa nunca ler sobre meus desesperos e se ver nele, jure a mim nunca chorar os pensamentos aí ocultos, pois eu tenho a certeza, tanto quanto tenho sobre a morte, que terei pena, e mais uma vez fingirei não ser eu, e o amor contradiz esse meu dom. Apenas prometa nunca chorar sobre os pensamentos que fiz sobre ti e dizer sofrer pelo mesmo.

8 comentários:

Finim disse...

Muito bom, legal a forma que usa de certo simbolismo pra relatar o fato...

:)

Renan disse...

É de um torpor tamanho que se expressam suas indelicadas confissões Hugo. Parecem vozes ocultas e, ao mesmo tempo, latentes, vorazes, arrancando suspiros da margem oculta da conscicência. De uma inteligência poucas vezes experenciada por mim.

Bru.na disse...

Não tenho palavras pra esse post..mas
que me deixou pensativa e até fez-me imaginar coisas,das quais não esperava...
Pense positivo e encontre coragem de dizer á ela quantyo a quer.
Suas palavras são doces e amargas e fazem minha alucinações em minha cabeça.

Suellen Pereira Rodrigues disse...

Forte. É possivel sentir o que está passando pela sua cabeça só pela maneira que você escreve. Impossivel não pensar em algo.
Parabéns.

André Vinícius disse...

Legal mesmo cara! O Blogg ta massa! Texto para ser lido e sentido!

A coisa tá bem onírica, algumas vezes acabei me perdendo na leitura... mas gosto dessa aprennção das coisas de uma forma bem fragmentada,aleatória eu que sou todo embaralhado por natureza.

Janaína Moraes disse...

Não vou criticar nem julgar, quem sou eu para fazer tal manifestação sobre seu texto.
Posso sim, e com gosto, eleogiar.
Admiro pessoas que sabem brincar com a forma e a graça das palavras.

Anne Dayse disse...

Nossa! você escreve muito bem, parabéns!
muito bom o texto, de caráter psicológico intensoo, gostei muito daqui
prometo visitar mais vezes
bjos

Confissoes de uma Adolescente ;D disse...

muito lindo...
depressivo mais lindo...
As vézes fantasiar pode nos ser cruel mesmo...
é amor, solidão tudo ao mesmo tempo
consegui sei lá entrar no sentimentogostei muito
;*